Por que vegetarianos engordam?

16 fev

Vá até a lancheria ou padaria mais próxima e descubra.

A maioria das opções de lanches rápidos disponíveis tem presunto, frango, peru, calabresa, carne vermelha, chester, salsicha, etc etc. Normalmente as opções sem carne contém queijo e só. Daí você pode comer coisas do tipo: batata frita, pastel de queijo, cheese 4 queijos, pizza mussarela, quiche de queijo, e assim vai. Raramente aparecem opções com legumes ou brócolis – sem contar que o brócolis normalmente vem acompanhado de molho branco.

O resultado de comer tanto queijo e tanta massa?

Você engorda.

Tá aí a resposta.

 

O problema da pessoa ser gorda e vegetariana

Acho que pessoas gordas sofrem um preconceito parecido com aquele que sofrem os vegetarianos. Imagina um vegetariano gordo. Se for mulher, negra, lésbica, solteira, e pobre, pior ainda. O preconceito racial, sexual, de gênero,  social, e econômico existe ainda sim. Mas vamos falar só do preconceito contra pessoas gordas e pessoas vegetarianas agora, por enquanto.

Mesmo tendo esse problema para comer lanches rápidos fora de casa, eu tenho me alimentado bem. Sempre que dá eu vou em buffet na hora do almoço e como muita salada. Muita mesmo. Grãos também são importantes. Cevada, grão-de-bico, granola, etc. Tomo muito iogurte e sucos naturais quando como fora. Mas invariavelmente acabo lanchando muito aqueles salgados de queijo citados anteriormente. E quando estou com preguiça em casa, eu faço massa parafuso… com molho branco, que é mais fácil de fazer. Por causa disso eu engordei. E fiquei 2010 inteiro no esquema engorda-emagrece-engorda-emagrece. O saldo final ficou em +12 kg. Mas isso também porque eu não me exercitei com frequência. Variei muito de 4x a 1x por semana.

Mas o que eu queria chamar atenção é, que apesar das minhas calças jeans estarem todas estourando, meu colesterol está reguladíssimo. Me sinto leve. Minha pele está mais limpa. Etc, etc. Só que as pessoas que convivem comigo, principalmente a minha família, não parecem estar satisfeitas com meu status atual de gordinha. E aí eu me pergunto, até que ponto é ruim ser gordo? Porque até agora eu só achei ruim em dois momentos: 1- para comprar roupa, já que as numerações e desenhos são bem limitados, e 2 – na hora que passo na frente da minha mãe e ela fica dizendo o quanto eu vou morrer solteira e encalhada com essa pança. Na verdade, não me sinto nem um pouco encalhada. O setor pessoal vai bem, obrigada. Quando me olho no espelho, não me sinto feia. Lógico que eu ia amar se eu visse o corpo de uma topmodel me olhando no reflexo do espelho, mas isso é utópico. Então, para quê me descabelar? Estar gordinha não atrapalha minha produção no trabalho, acredito que meus amigos não gostem menos de mim por isso, e eu estou saudável para caramba. Tenho fôlego de sobra. Até deixei de ser fumante.

É ruim ser gordo? É. Todo mundo sabe. Mas sabe o que é pior? É se aceitar. É dizer em alto e bom som que você se acha bonito, mesmo gordinho. Porque afinal, você está saudável. As pessoas não sabem lidar com gente que se aceita como é, mesmo estando longe dos padrões regidos pela sociedade sobre o que é belo e o que não é.

E isso tudo é muito parecido com aquelas pessoas inconformadas com vegetarianos, quando estes afirmam que não é difícil para eles resistir ao ato de comer carne. As pessoas não estão prontas para descobrir que tem gente que não fica salivando ao sentir cheiro de churrasco, só porque todo mundo o faz. As pessoas querem que você sofra, que você fique olhando-as comer o bife com vontade de estar comendo também, mostrando que você só não come porque você “não pode”. E não é assim. Eu fico até meio enjoada com cheiro de carne, e me embrulha o estômago só de pensar em comer aquilo de novo. Mas as pessoas não respeitam.

Enfim. Ser vegetariano não é fácil, você sofre preconceito, sim. E sendo gordo? Pior ainda.

Então, amigos, vamos parar de fazer cara de surpresa quando algum gordinho te conta que é vegetariano. É a coisa mais irritante do mundo.

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Sexta Sem Pele

26 nov


No próximo dia 26 de novembro acontece em todo o mundo a terceira edição da Sexta Feira Mundial Sem Pele – Worldwide Fur Free Friday, um dos protestos de ação global de maior relevância na luta pelos direitos animais. No último ano foram realizados protestos em mais de 120 localidades ao redor do mundo pedindo o fim do cruel comércio de peles de animais.
A data foi criada pela International Anti-Fur Coalition – Coalizão Internacional Anti-Pele – em parceria com o movimento Fur-Free Friday, que é muito popular nos Estados Unidos e acontece logo após o Dia de Ação de Graças, 25.
Estilistas que insistem no uso de pele animal em suas coleções são alvos de críticas dos manifestantes.
Junte-se a nós!
O objetivo é informar a população sobre o que se esconde por trás da indústria da pele. Milhões de animais continuam sendo mortos em nome da moda. Muitos são esfolados ainda vivos, incluindo cães e gatos, tudo em nome da vaidade e do consumo sem medidas, seja para um casaco, um brinquedo ou um enfeite qualquer.
Participe da Sexta-Feira Mundial Sem Pele!
Você pode fazer a diferença neste movimento contra o sofrimento dos animais!
São Paulo – Avenida Paulista em frente ao Masp
26 de novembro, a partir das 11h
Realização: Holocausto Animal
Idealização: http://www.antifurcoalition.org
http://holocaustoanimalbrazil.blogspot.com
Porto Alegre – Esquina Democrática
26 de novembro, das 14h às 19h, mesmo com chuva
Realização: Vanguarda Abolicionista
http://vanguardaabolicionista.com.br
* Fábio Paiva
coordenador geral
http://www.holocaustoanimal.org
acesse também:
http://holocaustoanimalbrazil.blogspot.com
http://animalpress.blogspot.com

ausência

20 out

Esse blog não está largado às traças.

Estou juntando e produzindo conteúdo, dont worry be happy.

Discutir ou fazer-se de surdo?

24 set

Atualmente eu faço uma disciplina fantástica na faculdade: LIBRAS. Para quem não sabe, LIBRAS é aquela linguagem de sinais que usamos para nos comunicar com os surdos. Em uma aula desse mês, tocou um celular com um toque engraçadinho e todo mundo começou a rir. Menos as professoras, que são surdas, e ficaram nos perguntando (por libras) porquê nós estávamos rindo. Foi nesse contexto que acabei refletindo que às vezes eu preferia ser surda, sabe?

Peguei o costume vergonhoso de omitir que sou vegetariana. Fico lá, comendo quietinha, só pegando alimentos vegetarianos e negando quando alguém me oferece carne. Invariavelmente algum amigo meu acrescenta, para a pessoa que está me oferecendo o bacon/frango/bife/etc que eu sou vegetariana. Ou, às vezes, a pessoa insiste tanto para eu pegar a carne que eu sou obrigada a informar que eu não como aquilo. E aí começa a lenga-lenga.

– Por quê tu não come carne?

– É só por pena dos bichinhos?

– É por que tu acha mais saudável?

– Sabia que o primo do amigo da cunhada do meu tio-avô ficou anêmico?

– Quero só ver por quanto tempo tu aguenta!

– Sabia que o alface também sente quando a gente tira ele da terra?

– Da próxima vez que tu vier aqui eu vou fazer um churrasco bem mal-passado, e quero ver se tu vai resistir.

– Pô, mas não come nem peixe? Nem frango?!

E assim vai.

Não consigo lembrar qual foi o último fim de semana que eu sai para comer na casa de alguém e a refeição foi tranquila. Até pouco tempo atrás eu dava seguimento à discussão e expunha todas as minhas razões, e inclusive desdenhava muito a história do alface e seus sentimentos. Só que chega uma hora que cansa, sabe. Cansa mesmo. É um saco.

Então fico na dúvida se eu faço de conta que não ouço. Porque da última vez me deu vontade de entrar para baixo da mesa e começar a chorar – sério mesmo. Simplesmente NÃO DÁ para ficar explicando, listando os motivos, justificando, etc, o porquê eu sou vegetariana todos os fins de semana, para uma legião de pessoas diferentes – e muitas vezes também me exigem explicações mais de uma vez, um mesmo grupo de pessoas. Sem contar toda aquela ladainha de ter que debater, argumentar, responder, etc.

A história da dor do alface é a que mais me irrita. Já pedi, re-pedi, exigi, e procurei por, mas nunca encontrei nenhum artigo científico explicando a suposta dor do alface. Que ele tem mecanismos de reação que interagem conforme estímulos do ambiente, isso é reconhecido. Isso existe em praticamente todas as plantas. É exatamente este tipo de macanismo que faz algumas folhas se fecharem durante o dia e abrirem durante a noite, que faz algumas pétalas se fecharem quando encostamos na flor, que fez a roseira desenvolver espinhos no caule, etc. Mas jamais foi encontrado nada que se assemelhe, nem remotamente, a um sistema nervoso em uma planta. Tampouco qualquer orgão que faça-a ter consciência de sua existência. Ou seja, plantas não sentem dor. Alguns argumentam que esses mecanismos de interação com o ambiente que as plantas têm sejam um arremedo do sistema nervoso dos animais, e que mesmo sendo muito simplório, não deveria ser ignorado. Eu fico aqui pensando, poxa, se eles acreditam que as plantas sentem dor, e se eles tem consciência de que os animais também sentem, por que eles simplesmente não param de comer? Tipo aqueles caras que dizem que se alimentam de luz, hum?

“Se as plantas fossem sensíveis, isso seria, então, mais um argumento contra a alimentação carnívora – pelo menos em nível lógico. Pois, sendo necessárias de 5 a 10 g de proteínas de origem vegetal para produzir 1 g de proteína de origem animal, parar de comer os animais, mesmo continuando a comer as plantas, reduziria muito os sofrimentos impostos a elas de um fator de 5 a 10,” (Fonte.)

Outra questão é o cinismo dessas pessoas em dizerem que existem animais que se alimentam de outros, e, portanto, comer carne não é errado. É como se um leão tivesse capacidade de montar uma fazenda e começar a criar zebras para abate. Faça-me o favor, oras. Nós realmente não dependemos dessa carnificina para sobreviver, visto que a agricultura é um conhecimento bem antigo do ser humano.

Há uma grande diferença entre estar perdido na savana e matar para comer; e estar na cidade, comprando bifes no supermercado. E entender ou não esta frase pode justificar o fato de você ser ou não ser vegetariano.

Eu tenho uma opinião bem formada sobre as pessoas que aporrinham as minhas refeições. E atente para a questão de que metade da minha família e metade dos meus amigos fazem parte deste grupo de pessoas irritantes – incluindo pessoas que sempre foram muito especiais para mim.

Essa gente é um bando de mal-educados. Quem deveria estar indagando-os era eu, e não eles. E, no entando, muitas vezes parece que é preciso um tipo de licença para ser vegetariano na sociedade. E essa licença seria uma espécie de discussão obrigatória com todos os membros da mesa até que se derrube todos seus argumentos e se possa, enfim, comer em paz sua salada.

Puta-que-pariu, hein?

Então, se você leu esse texto, e algum dia você me aporrinhou numa refeição, ou encheu algum outro vegetariano sobre suas opções de vida, eu lhe faço um apelo. Lembre que esta pessoa provavelmente estudou, leu bastante a respeito, desenvolveu uma conscicência altruísta muito bonita dentro de si, antes de virar vegetariano. Não pense que ele simplesmente acordou um dia e decidiu que nunca mais iria comer carne. Não seja tão burro de pensar uma coisa dessas, ok? Não subestime sua própria capacidade de dedução. E não gaste sua saliva tentando convencer a pessoa de que ela está errada e você está certo. Isso é uma tremenda falta de educação.

Assim como muitas vezes precisamos escolher o lugar, hora e momento para discutir política, futebol, e religião, também temos que escolher um momento para fazer um debate profundo e sincero sobre vegetarianismo. Um assunto tão importante não deve ser tratado apenas nos momentos em que queremos irritar seus adeptos.

Leitura recomendada: link.

nunca sou criativa

21 set

Sabe quando você se dá conta de que todas as idéias que teve na vida, das mais mirabolantes às mais simples, já passaram pela cabeça de alguém, ou pior, já foram executadas por alguém?
Então… Saca só o que eu achei hoje: http://souvegetarianoeagora.blogspot.com/.

sobre miojos e ovos

16 set

Levanta a mão o ovo-lacto vegetariano que já apelou largamente para o miojo na preguiça de cozinhar qualquer coisa!

No ensino médio eu aprendi, na aula de química, que o miojo concentra toda a dose diária de lipídeos necessária e ainda leva mais pouquinho de brinde. E já diz a wikipédia: ” É importante que se tenha um consumo moderado desta substância, pois além de conter maior valor energético, não é o primeiro nutriente utilizado pela célula quando ela gasta energia”.

E eu, que fiquei julho inteiro só almoçando miojo… adivinha só? Engordei!

Sem contar que uma dieta de lipideos não é uma coisa lá muito saudável. Na verdade não deve ser de nenhuma forma, né.

Então, a dica para quem vira vegetariano de repente é a seguinte: ao invés de comer miojo, coma ovos. Compre uma frigideira de teflon e frite ovos sem óleo, para não avacalhar o colesterol. Invente pratos, conheça o mundo dos omeletes, compre seleta de legumes enlatado e mande ver na latinha. Coma baguete com azeitona, maionese, cebola, sei lá. É bom para caramba, e dá aquela sensação de preenchimento no estômago, de saciedade oleosa, que antes a gente só conseguia comendo gordura. E se essa história dos ovos não agradou, porque sei lá, de repente você trabalha e não tem fogão no trabalho, só um microondas, eu tenho uma luz para você. Dá para fazer ovo no microondas. Eu sei, eu sei. Um monte de gente já tentou e o negócio simplesmente estourou e sujou tudo. Mas é que o pessoal simplesmente tasca o coitado do ovo no microondas e deu. Não é assim. Tem que fazer um furinho na casca do ovo e deixar no máximo 1min. Depois tu descasca e ele sai inteirinho. Outra coisa que dá para fazer é quebrar o ovo num pratinho e colocar para aquecer; ele fica com aspecto de frito.

Daí vem alguém a pergunta que não quer calar: Vegetarianos comem ovos? Como assim? Não tem pintinho lá dentro?

Então né, vamos lá explicar o que diabos é um ovo. A única analogia que eu conheço não deve parecer bonita para os homens, mas acho que tá na hora da galera parar de frescura e encarar com naturalidade o seguinte: menstruação. Mas que diabos tem a ver menstruação com ovos? Eu respondo, meu amigo: T-U-D-O. Mulheres ficam menstruadas porque o óvulo – que sai das trompas delas todo o mês para dar um rolê no útero e ver se encontra uns espermatozóides gatinhos – não foi fecundado e, portanto, não serve para mais nada. Porque tipo, óvulos tem um tipo de validade, sabe? Eles não podem ficar a vida toda ali rondando no útero depois que eles já passaram do tempo hábil para serem fertilizados. E o que acontece? O organismo tem que expulsar o óvulo e toda a parafernália que o corpo feminino produziu para abrigar uma criança. Isso tudo resulta no quê? Um monte de sangue, oras.

E o ovo?

Ah, pois é. O ovo é a mesma coisa. O ovo é o óvulo da galinha que saiu para dar um rolê mas foi embora da balada no zero a zero; porque o galo não veio. Ou seja; não tem pintinho dentro de todos os ovos. Se você colocar um monte de galinhas para morarem juntas e não tiver nenhum galo presente, elas continuarão a botar ovos – do mesmo jeito que mulheres menstruam mesmo sem ter feito sexo. E sem galo, não tem pintinho; assim como sem homem não tem bebê. Capiche?

Outra pergunta que alguém deve estar se fazendo: então por que alguns vegetarianos são veganos ou lacto-vegetarianos e não comem ovos? Qual é o problema se o ovo não tem pintinho?

Bem, essa resposta é um pouco mais complexa, mas não é impossível de explicar. Existem pessoas que acreditam que isso é especismo – que é mais ou menos como o racismo, nazismo, etc. Acreditam que é como se nós estivessemos fazendo com as galinhas exatamente o que os portugueses faziam com os angolanos na época colonial. O que não deixa de ser verdade. Alguém já viu uma zona de galinhas poedeiras? Ou um aviário? A vida das galinhas é bem miserável. Elas nascem para botar ovos e morrem botando ovos, algumas até sem nunca ter visto a luz do sol. Na verdade, acho que o que fazemos com elas é pior do que nós fazíamos com os escravos.

Última pergunta que não quer calar, depois de tudo isso: mas então por que você continua comendo ovos de galinhas escravas do especismo?

Porque eu acredito que não existe especismo no ato de comer ovos, mas sim no jeito que atualmente tratamos as galinhas que nos fornecem os ovos. Prendê-las em galinheiros sem condição de elas exercerem seus direitos de ser vivo, tirar a felicidade da curta vida delas, essas coisas,  eu acho completamente sem moral.

E sim, os ovos que eu consumo, assim como provavelmente os ovos que são usados para fazer as massas e pães que eu compro para comer, vem sim desses lugares repugnantes. Eu me sinto mal por isso? Sinto sim. Muito. Consumindo coisas que usam produtos derivados de animais, que são tratados nessas condições, só colabora para que continuem explorando esses seres vivos inocentes.

Meu sonho agora, de vida, é consumir ovos de galinhas que vivam em liberdade no campo. Galinhas para quem os ovos realmente não terão nenhuma utilidade depois de expulsos de seus corpos, mas que não viverão para botar ovos, e sim, para viver a vida delas – na sua condição de ser vivo.

É importante que se tenha um consumo moderado desta substância, pois além de conter maior valor energético, não é o primeiro nutriente utilizado pela célula quando ela gasta energia

vida sem carne: comendo fora

12 set

Há uma infinidade de funcionários de lancherias que acreditam piamente que presunto e salsicha não é carne. Eu me surpreendo ainda, mesmo com a quantidade de vezes em que passei por essa experiência.

– Oi, moço. Quais salgados aí não tem carne ou frango, ou algo assim? Eu sou vegetariana.

– Olha, tem esse, este e aquele ali.

– Hum… E de quê eles são?

– Esse aqui é presunto e queijo, aquele ali é peru defumado com ricota, e aquele é enroladinho de salsicha.

– …

– Não gostou?

– Er… Me vê um pão de queijo então. Sem recheio.

Outra coisa que acontece é me olharem com cara de espanto quando peço torrada (misto quente, para pessoas não-gaúchas) sem presunto, xis sem hamburguer, essas coisas. Engraçado é que ninguém nunca faz cara nenhuma quando eu peço cachorro-quente sem salsicha. Acho que os caras que trabalham com carrocinha de hot dog são os mais tranquilos – sem contar que fazem parte daquele seleto grupo de pessoas que não fica te questionando porque virou vegetariano.

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Minha primeira preocupação na lista de “Coisas Para Se Pensar Sobre Comer Fora De Casa Depois De Virar Vegetariana” era o Restaurante Universitário. O famoso RU da UFRGS.

Na minha rotina, ele é um dos personagens mais presentes. Eu almoço lá as 11h, religiosamente – assim mesmo, cedo, para não pegar fila – e janto lá às 17h30 – para dar tempo de assistir a aula das 18h30 sem pressa. Antes do RU eu não tinha o costume de jantar, porque eu sempre tenho pesadelos quando como de noite. Adquirindo o hábito de jantar super cedo, em horário geriátrico, eu resolvi o problema de uma vida inteira. Mas meus problemas ainda não haviam parado de surgir. A coisa que eu mas comia lá era justamente carne. Bife, peito de frango, peixinho frito, steak de peixe, cubos de carne, omelete com bacon, xuxu com bacon, omelete com presunto…

Eu sabia que eles davam omelete sem presunto e xuxu sem bacon para os vegetarianos quando eles iam na porta da cozinha. Então eu assim fiz nos primeiros dias. Carregava minha bandeja de metal até a porta daquela cozinha industrial e algum funcionário vinha me atender. Eles nem falam nada na maioria das vezes, só levam a bandeja até uma panelona de alumínio e jogam a comida ali. Depois de uns dias, eles começaram a me perguntar se eu queria queijo. Acho que eles meio que testam as pessoas para ver se são vegetarianas mesmo, ficam cuidando para ver se ela vem pedir comida sem carne durante muitos dias seguidos; e depois passam a dar o queijo de brinde. E desde então, eu como feijão com queijo derretido e acho uma delícia.

É muito legal que a universidade tenha essas opções, porque é sinal de que existe respeito e uma preocupação em atender todos os estudantes oferecendo uma boa alimentação para todos, não importando as orientações nutricionais de cada um. Existe uma campanha para que dividam o buffet do RU em dois; um vegetariano, e um não-vegetariano. Eu estou na expectativa, acredito que um dia isso vai virar padrão não só nas universidades, mas no mundo todo.

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Churrasco. Esse é meu grande problema atualmente.

Há seis meses atrás eu era a mais animada em organizar churrascões com meus amigos, minha família. Era a primeira a devorar o prato e repetir. Comia muitos e muitos corações de galinha, e às vezes até fazia piada sobre quantas galinhas deveriam ter morrido para que eu enchesse meu estômago com exagero. E ria por horas das galinhas, enquanto mandava ver vitela no meu prato; nessas ocasiões eu nem dava bola para os acompanhamentos, saladas, arroz… meu negócio era comer a carne sangrenta mesmo e só.

Quando parei de comer carne não cheguei a me desesperar por causa dos churrascos. Continuei os frequentando, saboreando meus brócolis, minhas folhas, cenouras, batatas, etc, ao lado dos meus amigos carnívoros. Hoje em dia eu não faço piada sobre as galinhas e seus corações, mas as pessoas fazem piadas sobre meu prato de salada. Eu não me incomodo, dou de ombros e sigo em frente. Eu só me aborreço quando aparecem aqueles caras de fora, que não me conhecem, e ficam implicando e querendo que eu dê todo o discurso vegetariano que eles querem ouvir, para depois vir me dizer que eu sou burra, fraca, e que se for por isso o alface também deve sentir dor quando arrancado da terra. Sério, esse tipinho de pessoas – essa gentinha – é exatamente quem eu procuro distância. Eu realmente não me importo que pensem, me chamam, e me digam que eles acham que o que eu faço é burrice; tampouco me assusto com seus diagnósticos médicos de que eu vou ter anemia, vou ficar subnutrida, etc. O que me encomoda nessas pessoas é que elas não me deixam comer em paz.

Imagina só, o cidadão ali, comendo quieto no seu canto, conversando coisas aleatórias durante o almoço, saboreando sua salada sem encomodar ninguém. Daí chega um idiota e fica alfinetando, buzinando, implicando o tempo inteiro, mal-dizendo a salada, oferecendo carne pingando sangue para ti a todo momento – ou até mesmo ameaçando jogar carne no teu prato. É muito desagradável. Eu tenho vontade de cravar meu garfo na mão desse tipo de pessoa, para ela se dar conta de que eu não tenho problema nenhum em ver sangue, nem de tirar ele de alguém – principalmente se for alguém que está me irritando.

Well, voltando ao assunto, depois de um tempo aconteceu a pior coisa que poderia para mim. Comecei a ficar enjoada com cheiro de carne assando. E não é frescura de fazer de conta que tem nojinho, só para afirmar de forma mais veemente que se é vegetariano. Não, não. É uma coisa natural mesmo. Uma vez, esperando o ônibus, quase vomitei na parada – que era na frente de uma churrascaria. Mês passado fui no Giraffas, que é o único fast food que serve cheeseburguer sem carne, e fiquei o tempo todo tapando meu nariz discretamente com a manga da blusa, por causa do cheiro dos hamburgueres de bife dos meus amigos.

Ainda estou trabalhando nessa parte aí, do cheiro. Não quero virar uma chata que fica fazendo cara de nojo toda vez que alguém vai fritar uma carne. Mas ao mesmo tempo isso só reforça meu total nojo pelo ato de comer partes do corpo de animais – animais estes que têm uma vida miserável e morrem de um jeito completamente desprovido do mínimo respeito. Porque nem para respeitar aquele que lhe provê alimento o homem serve. Isso só prova como somos podres por dentro.

E minha rotina encarando os restaurantes e churrascos pela vida afora continua.

Em breve quero falar sobre o paraíso dos restaurantes vegetarianos e veganos.